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Mediunidade no dia a dia: Naturalizando o Mediúnico

Autora: Jeísa Crusoé

Sabe aqueles momentos em que você se depara com alguém que te diz assim:

– Você sabe que não acredito nessas coisas de ‘Espíritos’, mas ontem, entrei na sala de fulano de tal… noooossa! Que energia carregada! Fulano está com ‘encosto’!

Daí você, espírita ou não, e que possui algum conhecimento, vai explicar sobre sensitividade, fluidos, obsessão ou qualquer outro assunto que lhe seja familiar. E sendo alguém que conhece tudo isso, você dirá: converse, compreenda! Acolha!

Será? Não sei. Em algumas ocasiões já me deparei com trabalhadores espíritas que, fora de suas atividades da Casa que frequentam, relatam algum episódio com fenômeno mediúnico em que não souberam lidar porque sentiram medo – em alguns casos, um verdadeiro terror! Então pergunto: o que mesmo você está aprendendo sobre imortalidade do Espírito e mediunidade? O aprendizado se dá apenas no campo cognitivo, teórico? Como é isso na prática? O que foi aprendido serve apenas para o ambiente das Casas Espíritas que frequentamos?

Reflita comigo: estamos acostumados a ver filmes onde espíritos são representados como “fantasmas” aterrorizadores. Em certos momentos da vida, onde o fenômeno aconteça inesperadamente, surge, na sequência, uma profusão de histórias em torno do acontecido, com todo tipo de adjetivação, sempre naquela fórmula de que “quem conta um conto aumenta um ponto”. E logo a ideia do sobrenatural, o clima de mistério e o medo tomam conta das mentes mais desavisadas… Certamente, ao ler este parágrafo, você deve ter lembrado de algum “causo” que lhe contaram ou que você presenciou.

Por outro lado, há aqueles que não têm medo e lidam com o mediúnico constantemente. No entanto, mantêm uma visão de que Espíritos são seres especiais, possuidores de grande poder para influenciar encarnados e que possuem domínio sobre suas vidas – em certo sentido, ainda são vistos como “salvadores” ou “protetores”.

Esta ideia tão presente no imaginário popular faz com que se mantenha uma relação hierarquizada onde desencarnados são concebidos como seres superiores, enquanto os encarnados, em sua inferioridade, lhes obedecem as ordens – e aqui está uma grande brecha para as obsessões por fascinação, podendo levar à subjugação.

E falando em obsessão, dentro desta mesma concepção da visão hierarquizada, há também aqueles denominados de “espíritos trevosos” com toda sua pecha de conduta a atemorizar os incautos. Atribui-se a culpa pelos processos obsessivos, ao espírito desencarnado. Esquece-se – ou desconhece-se – que o encarnado tem a sua parcela de contribuição para o processo.

Diante disso, vamos pensar: quem são os seres superiores? Quem são os trevosos? Quem são os incautos? E você, como é a sua relação com as pessoas que estão no plano espiritual?

O medo e a ignorância ao lidar com o fenômeno mediúnico ainda existem e são decorrentes de aspectos da nossa cultura e da falta de estudo e conhecimento. Sobre isto, nos diz Allan Kardec na introdução de O Livro dos Médiuns que “A experiência nos confirma, todos os dias, que as dificuldades e equívocos que se encontram na prática do Espiritismo têm sua fonte na ignorância dos princípios desta ciência”.

Amiga leitora, amigo leitor, convido-lhes a aprofundar suas reflexões acerca da sua própria imortalidade e, por consequência, da mediunidade. Como você tem vivido aqui? Se aqui se vive relações de amizade, de aprendizados, de superações e também relações difíceis, desafiadoras, por que seria diferente ao desencarnar? E se assim é, então, por que alimentar um imaginário onde permeia o medo de desencarnados ou uma ideia de que são eles, seres especiais, apenas por não mais vestir um corpo físico?

Ora, ora! Nem o medo, nem a adoração. O que propomos aqui é um olhar simples e natural para o que se é – Espírito imortal – e para as suas relações, sejam elas com encarnados ou com desencarnados.

Para que se tenha uma relação equilibrada consigo próprio e com Espíritos à sua volta – sejam eles encarnados ou desencarnados – é preciso que você, verdadeiramente, perceba-se um Espírito imortal e, pelo crivo da razão, afaste a ideia maniqueísta de bem e mal, luz e trevas. Tenha a consciência de que tanto o mundo material como o mundo espiritual são constituídos de pessoas como você. Há, sem dúvidas, aqueles que são bons, agem de maneira edificante e estão aptos a conduzir outras pessoas, mas nem por isso estão isentos de equívocos. Eles sabem que continuam na caminhada do aprendizado. E há aqueles que ainda se desviam totalmente, prejudicando a si e a outros e, por isto mesmo, necessitam ser acolhidos e orientados, quando couber, com seriedade e respeito.

No dia a dia, é importante que se conceba os eventos mediúnicos pela forma natural como de fato são: uma relação entre pessoas. Na condição de pessoas, cada um vai manifestar seus amores e dissabores, nutrindo esperanças e desavenças – esteja encarnado ou não. Naturalizar a mediunidade é abrir a oportunidade para integrar novas habilidades evolutivas. Faça bom uso da sua capacidade para perceber outras dimensões existenciais. Amplie suas competências psíquicas! E lembre-se sempre: a mediunidade que permeia o seu cotidiano é um fenômeno natural.

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