Kassiele Kaiper 
Passar pelo sistema ULE é tornar-se parte de uma proposta que colabora diretamente com a compreensão do seu Campo Pessoal. Você inicia buscando entender algo da vida e, ao longo do caminho, percebe que estava buscando compreender a si mesmo. Não é apenas ingressar em um curso, é viver uma experiência que marca a trajetória de uma pessoa. Para mim, foi um verdadeiro divisor de águas. 
Falo isso porque vivi e continuo vivendo essa experiência. Entrar em contato com o conteúdo da ULE revelou, em mim, uma busca profunda. Estar nesse sistema é ter acesso a uma perspectiva teórica consistente e, ao mesmo tempo, a um espaço onde a teoria ganha possibilidade de experiência. Não se trata apenas de estudar conceitos, mas de experimentá-los e, a partir disso, construir um modo próprio de perceber a vida. Todos estamos em desenvolvimento, mas nem sempre sabemos como organizar esse movimento interno.
Quando a Revista propõe o tema Campo Pessoal, penso que nos convida a olhar para o resultado desse processo que vivemos na ULE. Segundo Adenáuer Novaes, o Campo Pessoal é a configuração vibracional que resulta do conjunto imagem e emoção das experiências do Espírito. É a forma singular como estruturamos nossa realidade. Não é acaso ou sorte, mas autoria.
E é exatamente essa autoria que a caminhada pelos Ciclos da ULE nos ajuda a perceber.
No Ciclo I, somos acolhidos para algo novo, um convite a nos reconhecermos como Espírito. No Ciclo II, com a pergunta “Quem sou?”, ampliamos o olhar sobre nossa própria manifestação no mundo. No Ciclo III, ao percebermos que nos comunicamos com o outro, compreendemos que estamos em constante interação e que essas relações sempre revelam algo sobre nós, afinal é com os semelhantes que produzimos nossas interseções. 
No Ciclo IV, ampliamos a visão de mundo. No Ciclo V, somos convidados a compreender escolhas e fronteiras dentro da caminhada contínua do Espírito que somos.
No Ciclo VI, o olhar se volta para dentro de maneira mais profunda. É um movimento pessoal e intransferível, como se nos reposicionássemos e assumíssemos que o fluxo da vida parte do mundo interno para o mundo externo. No Ciclo VII, ao reconhecermos que somos um Espírito e utilizamos uma mente e um corpo físico, observamos como pensamos, sentimos e agimos, e buscamos responder à pergunta: “Como vivo?”.
No Ciclo VIII, o reconhecimento é da própria identidade e a pergunta que fica é: “Existe alguém igual a você?”. No Ciclo IX, ao planejar o futuro, compreendemos que a direção do viver é essencial e nos perguntamos o que desejamos construir? Afinal, o Espírito, queira ou não, configura sua realidade. E no Ciclo X, ao nos autodeterminar, assumimos conscientemente a autoria de nossa existência.
Percebe a caminhada que vamos fazendo pela ULE? Faz sentido para você?
Caminhar pelos Ciclos é reconhecer a própria história e compreender como o mundo interno se organiza. Adenáuer também afirma que a noção de Campo Pessoal substitui a ideia de valor pessoal baseada em julgamento moral. Isso significa que deixamos de nos medir pela opinião do outro e passamos a nos perceber pelo que geramos e pela capacidade de transformar conscientemente aquilo que vivemos. Aqui me ocorre perguntar: que realidade quero viver? Que elementos possuo para construí-la?
A cada ciclo, ampliamos a forma como nos vemos. Quando essa compreensão se aprofunda, mais questionamentos me ocorrem: como estou me comportando no mundo? Como me sinto diante do que faço?
Quem estou me tornando a partir das experiências que vivo?
Você está vivendo e algo está sendo (re)configurado. Avaliar comportamentos e sentimentos deixa de ser julgamento e se torna consciência. É perceber que suas emoções, reações e decisões participam ativamente da construção de sua realidade e o que você emite revela o que lhe compõe.
Viver esse processo é mudar de perspectiva. Antes, a terceirização da responsabilidade; agora, a autorresponsabilidade. Parece simples quando dito, mas é desafiador na prática. Significa reconhecer que o seu Campo Pessoal é configurado por você e que lhe é possível transformá-lo.
Quando nos abrimos à ULE, a experiência nos conduz naturalmente a mudanças. Nem sempre é confortável, porque o conteúdo nos confronta e revela aspectos antes camuflados. Mas é justamente esse confronto que reorganiza o nosso interior e torna possível uma vida mais leve.
O Saber ULE, em diálogo com o Campo Pessoal, nos lembra que estamos em constante movimento. Estudar é reorganizar o próprio campo. Vivenciar é aprender a escolher com consciência. É criar experiências que favoreçam o aprendizado daquilo que precisamos desenvolver.