Paulo de Tarso ![]()
A mente humana, complexo mecanismo ainda parcialmente desconhecido pela ciência, apresenta propriedades que vão além de meros construtos fisiológicos relacionados entre si na produção de efeitos cognitivos. Além disso, emergem funcionalidades e características que a definem, extrapolando os limites da caixa craniana e carecendo de conceituação mais ampla.
De alguma forma, seja na produção do pensamento, seja na retenção de conteúdos no que se convencionou chamar de memória, a mente assemelha-se a uma espécie de campo informacional dotado de propriedades como sintonia, ressonância e entrelaçamento, entre outras. Fenômenos associados a tais propriedades podem ser observados em diversos campos da ciência que tratam do tema. 
O biólogo britânico Rupert Sheldrake, ao analisar a questão dos campos, estabeleceu que estes estariam subjacentes às estruturas formativas que presidem a constituição das coisas existentes, aprisionando seus componentes em modelos pré-concebidos, à semelhança de um projeto arquitetônico que orienta a construção de uma casa. De maneira análoga, Allan Kardec, ao obter das entidades venerandas explicações acerca da tríade constitutiva do homem, assinalou que, entre o Espírito — elemento principal da consciência — e o corpo — elemento tangível de sua expressão —, existiria um campo formativo e integrador, ao qual denominou perispírito.
Como construto informacional, os campos constituem repositórios que representam individualidades espirituais, na medida em que possibilitam a identidade, característica maior do ser. Cada Espírito carrega a força dos campos que engendra; por isso, é determinante que compreenda os efeitos destes na construção dos painéis existenciais nos quais se insere, bem como nas potenciais oportunidades de aprimoramento ao longo da experiência integral.
A mente é diretora do espetáculo, roteirista e atriz; contudo, pode tornar-se vítima do enredo que ela própria elabora. O potencial energético que emerge dos campos formativos dessa identidade não só induz como também molda a aquarela das possibilidades oferecidas ao Espírito na encarnação e além dela.
A presença consciente do sujeito na ação é fator preponderante para que intervenha nesse aparente determinismo, afirmando sua liberdade como construtor do próprio destino. Os campos atraem experiências, enaltecem tendências comportamentais e resgatam conteúdos pretéritos de outras existências, por vezes ressurgindo qual assaltante em meio à consciência aturdida. Contudo, a individualidade espiritual é soberana para dirigir a si mesma, compreendendo e atuando sobre o processo, conferindo-lhe novos direcionamentos.
Dessa forma, embora muito se fale em lei de causa e efeito, resgates cármicos e expressões afins, tais conceitos devem ser compreendidos como possibilidades de maior probabilidade, dadas as circunstâncias que as potencializam. Ainda assim, o esforço consciente do Espírito permanece soberano, aplainando as arestas que lhe possam ser desfavoráveis, alcançando níveis existenciais de melhor qualidade e acelerando os passos em direção ao Eu que, assim, evolui.