A Arte da Palavra

Geometria

Izolda Vieira 



Geometria

A rua da linha não tem paralelas.

Segue em um único contínuo.

Contudo, existem esquinas, cruzamentos, intersecções,

Nos quais acontecem escolhas: Para que lado?

Pode-se contornar?

Espaços preenchidos de memórias, sonhos, desejos.

Medos e revelações. Perdas e alegrias. Desafios persistentes.

Campo do existir pessoal!

A rua da linha desemboca em descobertas vívidas.

Em um emaranhamento muitas vezes oníricos, mas sempre reveladores.

A rua da linha traça uma trajetória construída, mas passível de ser reconstruída.

Nunca destruída.

Abriga em si o valor da existência, harmonizando o presente e libertando o passado de mágoas doloridas.

A rua da linha não se encurva, se estende ao longo de toda a caminhada, constelando nossos espaços.

Nosso campo do existir pessoal.

Um comentário em “Geometria

  1. Os versos que mais me tocaram neste ano!
    “A rua da linha traça uma trajetória construída, mas passível de ser reconstruída.
    Nunca destruída.”

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