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Tendência à perfeição

Sheldon Menezes

“O Espírito dorme no mineral, sonha no vegetal e desperta no animal”. Com essa frase, o escritor e palestrante espírita Léon Denis resume o lento processo evolutivo desde a criação do Espírito. Em verdade, no início, é gerado o princípio espiritual e, apenas ao entrar na fase hominal, podemos dizer que ocorre a transformação para Espírito, quando, então, surgem o raciocínio, a consciência do futuro e a compreensão da existência de Deus.
No início, o ser humano nem se dá conta de que vive experiências incontáveis a cada encarnação e que elas precisam ser vividas para que gerem a internalização de infinitos valores que constroem habilidades e competências, que caracterizam a evolução do Espírito, essa individualidade que avança nesse processo pelos próprios esforços.

Experiências consideradas boas ou ruins fazem parte desse longo processo de aprendizado até que se tornem integradas ao Espírito. Para isso, não basta vivenciá-las, uma vez ou por alguns anos. Na conquista desses valores, de modo geral, são inúmeras as situações, de diferentes faces e em variadas encarnações, que oportunizam o aprendizado.
Podemos dizer que esses valores têm o amor como base entre todos eles, fazendo com que se correlacionem. Como se o amor se manifestasse em diversas áreas: alegria, compaixão, afeto, bondade, empatia, felicidade, fraternidade, humildade, paciência, tolerância, pacificação, liberdade, sabedoria e outros tantos que se tem consciência e outras que nem se dá conta, mas que, necessariamente, precisam ser integrados, não havendo ninguém em regime de exceção.
Hoje, vou abordar três valores essenciais ao Espírito: a alegria, a compaixão e o afeto.
A alegria, por exemplo, é fruto da sintonia com Deus, mesmo que o indivíduo não compreenda essa relação. Um sentimento íntimo de bem-estar com a vida e o viver faz com que a pessoa espalhe esse valor por onde quer que esteja, seja no trabalho, no trânsito, em casa, com amigos ou estranhos, com a percepção de que cada um de nós é agente de transformação da sociedade e que ninguém merece nosso mau-humor. A alegria é a manifestação da felicidade, que é fruto da concretização de projetos encarnatórios.
A compaixão nasce do desejo sincero de colocar-se no lugar do outro, que sofre, mas também daquele que se encontra em erro, fruto da ignorância temporária comum a todos. É o desejo de aliviar a dor do próximo, como uma manifestação do Criador. A compaixão deve levar à Consciência, daquele que padece, na expectativa de que desperte para a necessidade de compreensão, que tudo concorre para a evolução do Espírito. A compaixão nos faz desenvolver, entre outros aspectos, a fraternidade.
O afeto parece ser algo inato, que trazemos dentro de nós desde sempre, como se fosse a expressão do amor divino a se manifestar. Ele é o carinho que temos por alguém ou por algo. Ao nascer, a criança já experimenta o afeto dos pais. Se ele não ocorre, torna-se causa importante de distúrbios psicológicos. Ao longo da vida, trocamos afetos em diversos níveis, damos e recebemos afeto, mas, embora recebê-lo seja muito agradável, é fundamental reconhecer que ele também é um valor a ser construído ao longo das encarnações. As relações interpessoais encontram, no afeto, o sentimento que promove grandes transformações, que nutre e inspira grandes e pequenos feitos. São inúmeras as pessoas que sofrem pela ausência do afeto, oriunda de experiências traumáticas, que promove uma inabilidade, que bloqueia o contato e as trocas fundamentais para si e para o próximo.
É no convívio em sociedade, com trocas mútuas entre todos, que os valores são construídos até o ponto em que o Espírito, que se manifesta no encarnado, pensa, age e sente sem se dar conta de que todos eles já fazem parte da sua essência. Assim, ele tem uma longa jornada até tender à perfeição.

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