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Obsessão

Autor: Sheldon Menezes

A obsessão espiritual se caracteriza pela influência que um espírito consegue obter sobre outro espírito, encarnado ou desencarnado, desejando dominá-lo.

Como todos nós somos espíritos e médiuns, esse processo independe de religião, classe social, país de origem ou época. Em verdade, a obsessão é uma afecção que sempre acompanhou o ser humano, devido à influência espiritual que exercemos uns aos outros, bastando a tentativa de domínio para configurá-la. Sem essa tentativa, seguimos nós, influenciando e sendo influenciados mais do que imaginamos, conforme nos trouxeram os Espíritos nas obras básicas do Espiritismo, mas sem configurar uma obsessão.

Na base de muitos processos obsessivos, está o sentimento de culpa, que permite que o domínio se estabeleça. E esse sentimento vem sendo construído ao longo de muitas encarnações, principalmente através das religiões, que se utilizam da ideia de que somos errados, somos pecadores, que iremos para o inferno e tudo mais, para se colocarem como salvação através da sua intermediação com Deus. Ora, se somos feitos imperfeitos, é claro e natural que cometemos equívocos.

Com o tempo, vamos ampliando nossa compreensão de quem somos e de tudo que nos rodeia. A consciência de sermos espíritos imortais, feitos simples e ignorantes, que reencarnamos para a aquisição de habilidades e competências, que se traduz em evolução, está presente de forma cada vez mais intensa na sociedade.

Com isso, precisamos também nos atualizar quanto ao nosso papel nesse processo evolutivo, colocando-nos como artífices da nossa própria existência e saindo do lugar de vítimas da vida dos acontecimentos ou de outro espírito, esteja ele encarnado ou não.

Isso significa que um espírito não nos obsedia, um chefe não nos demite, uma pessoa não nos agride. Nós é que somos obsediados, nós é que somos demitidos, nós é que somos agredidos. A diferença é muito grande quando nos colocamos como sujeitos das nossas vidas, e, não como vítimas de alguém ou de algo. Os outros entram nas nossas vidas como agentes infelizes ou felizes daquilo que nos diz respeito, que nos cabe como protagonistas de nós mesmos.

Outro conceito que é preciso ser atualizado: não existe espírito obsessor. Isso seria condenar alguém a uma condição eterna de baixa evolução moral, o que não é possível mesmo que se desejasse. Existe espírito que “está” obsediando, ou seja, uma condição transitória, pela qual todos nós já podemos ter passado.

Quando uma obsessão se estabelece, é preciso tomar consciência da própria condição de seres imperfeitos, progredindo a cada experiência. Assumir a responsabilidade pelos atos, mas sem culpa, é muito diferente. Buscar o progresso moral e intelectual, pressupõe o reconhecimento de tendências, complexos, superando inclinações equivocadas.

E isso serve também ao espírito que obsedia. A ele também cabe o esclarecimento de que ele é o responsável pelo que acontece na própria vida.

Assim, não cabe nos livrarmos do obsessor sem compreendermos o que está dentro de nós, clamando por transformação; cabe aproveitarmos essa oportunidade para nos conhecermos e nos tornarmos melhores a cada experiência.

11 comentários on “Obsessão

  1. Fantástico artigo, que nos leva a despertar inclusive com relação ao nosso papel diante da situação, assim como do nos livrarmos da influência do sentimento de culpa assim como que tudo é um semear sempre com a possibilidade de mudarmos a frequência através do pensamento e ações. Além de nos despertar que ao outro podemos acolhere auxiliar e entender que muitas vezes, a situação que se encontra foi por ter se permitido, que nem aquela história de que a gente só é atingido por uma dor, por uma mágoa, por uma perda, por uma critica destrutiva se permitimos, pois é como que devemos colocar na nossa malinha o que realmente nos pertence e nem tudo que o outro dia sobre nós, realmente nos pertence, até pelo fato de que somos senhores de nosso destino, por isso, a importância também de olhar o outro com um outro nível de olhar, é o modificar o padrão vibratório e com isso, fazer com que aquela mão que muitas vezes surgia como que a nos punir, agora venha a auxiliar, até porque, somos todos iguais e devemos nos ver assim, sempre, independente de que dimensão estejamos.

    1. Verdade, Ângelo! Ótima conclusão acerca deste texto esclarecedor! Também é muito apaziguador, reconfortante e sereno compreender que nós é que somos mais a causa por esta subjugação do que o tal “subjugador”… Ninguém é mais forte do que nós mesmos!
      Também acho interessante interpretar que essa circunstância muitas vezes pode ocorrer entre dois seres encarnados!
      Paz e bem a todos!

  2. Excelente Sheldon!
    Realmente, é um outro olhar o que vemos e aprendemos na ULE, despertamos para a responsabilidade de si mesmo. A saída é para dentro.

  3. Muito esclarecedor o artigo que trata sóbre obsessão, assim como os comentários. Em uma boa parte do tempo, o ser se coloca como vítima, esquece as vezes que estamos todos interligados através da forma pensamento, em muitas das vezes eu sou o obsessor, quando durmo meu pensamento em fatos, pessoas etc, aí passo a viver, vivenciar tudo aquilo.

  4. Somos tão protagonistas da nossa história que escolhemos até o papel que queremos no momento,mesmo que inconscientemente.

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