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A Arte da Palavra

Mediunidade com leveza

Autor: Robyson Uzêda

Influem os Espíritos em nossos pensamentos e em nossos atos? Essa pergunta está no Livro dos Espíritos (L.E pergunta 459), e Kardec recebe dos Espíritos como resposta a seguinte assertiva: “Muito mais do que imaginais. Influem a tal ponto, que, de ordinário, são eles que vos dirigem”.

Não obstante a comunicação com os Espíritos seja realizada através da função mediúnica, fica evidente na resposta dada a Allan Kardec que esta comunicação é muito mais corriqueira e, portanto, natural. Embora a mediunidade seja vista como a “comunicação ostensiva” dos Espíritos com o médium, através das formas mais comuns de sua apresentação, como a psicofonia e a psicografia, essa comunicação se dá a todo instante e com todos os seres humanos, independente de crença ou do desejo, pelo simples fato de que a mediunidade é faculdade do Espírito.

Quero dizer com estas palavras que, se estamos sobre constante influência dos Espíritos e se a mediunidade é função psíquica, não devemos torná-la algo divinal, sacralizando-a ou enxergando-a como um dom afeito a uns poucos “escolhidos”. Ao contrário, ao compreendermos do que se trata, façamo-la uma aliada, utilizando-a com leveza e sabedoria. A naturalização da mediunidade deve partir, sobretudo, dos espíritas. Quantos de nós já não foi surpreendido por um pensamento extemporâneo, que fugia completamente daquilo que estávamos fazendo ou daquilo que a mente se ocupava, uma ideia, um desejo, uma solução para algo que nos parecia irresoluto?

Sim, na prática estamos sob influências daqueles com quem nos afinamos. Prestar atenção a essas irrupções psíquicas, utilizando com sabedoria, sem perder de vista que temos liberdade para tomarmos as decisões, é naturalizar a mediunidade.

O leitor poderia perguntar o que isto tem a ver com a arte mediúnica e o belo. Ao expor sobre a arte mediúnica e o belo, traçarei uma possibilidade para esse questionamento.

A palavra arte vem do latim ars, que significa habilidade. Deste modo, posso dizer que a arte é a habilidade de transformar o que sentimos em algo que possa ser percebido por outrem. A arte é uma forma de expressão do Espírito, através dela o ser humano exprime os seus sentimentos, se aproxima do sagrado, do divino. O idioma da arte é universal, é a língua do sentir. Uma obra de arte fala por si, nela há a natureza de um Espírito.

Há uma frase atribuída a Leonardo da Vinci onde ele diz “a lei suprema da arte é a representação do belo”, mas o que seria belo? Na concepção platônica o belo transcende ao sensório. O Espírito não contempla o belo com os órgãos sensoriais do corpo físico, não! A beleza é transcendental, só é contemplada com os olhos da alma. A beleza da arte está além da estética, se entendermos o belo como aquilo que vem da alma, logo perceberemos o que da Vinci quis dizer.

Diversas são as formas de arte, a música, a literatura, a pintura, só para citarmos algumas e que são as que mais comumente os Espíritos se utilizam.

São inúmeros os exemplos de artistas que desencarnaram e que continuaram as suas produções artísticas, como se houvesse uma necessidade de manter viva a sua obra, ou de se expressarem de outra forma, agora com outra visão de mundo.

Rosemary Brown com a música clássica, Gasparetto e Medrado com a pintura de artistas famosos, Chico Xavier com as poesias de clássicos da nossa literatura, sempre são lembrados, pois trazem as comunicações de forma serena, natural e com a sutileza da arte que os autores propunham. Contudo, a uma gama de artistas que compõem suas obras e mesmo sem perceberem estão sobre a influência daqueles que aqui viveram no anonimato, mas que usam da arte para expor as suas emoções, os seus sentimentos.

Duas habilidades que trazem grande benefícios, tanto para o médium, quanto para o Espírito; a mediunidade e a arte. Através da primeira, ambos têm a oportunidade de se comunicarem e pela linguagem da arte é possível exteriorizar a mais profunda intimidade da alma.

Sem dúvida, o artista consegue através da linguagem simbólica transmitir os seus sentimentos, a sua conexão com Deus, com o sagrado. Aos apreciadores da obra, há uma invasão de sensações, que permitirá ao Espírito penetrar em outra dimensão que ultrapassa os limites do corpo físico, será tocado pelo belo, pela leveza da construção artística.

A arte mediúnica proporciona, portanto, ao médium a possibilidade de conectar-se com esse mundo simbólico onde a beleza ultrapassa as definições dos dicionários; ao Espírito artista, é dada a oportunidade de se comunicar através de uma linguagem universal.

Finalizo com Oscar Wilde que diz “A arte, felizmente, ainda não soube encobrir a verdade.

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