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Se os Textos fossem Seus?

Autor: Eduardo Dantas

Como vai? Tudo bem? É muito bom caminharmos juntos nessa jornada pela construção da autoconsciência da imortalidade. Nossa revista é resultado de um trabalho muito atento e dedicado. É bom, por isso, ter você como leitora, como leitor. A partir de hoje, semanalmente, nós vamos compartilhar textos que nos estimulem a transformar o convite a ter uma mente desenvolvida e treinada para a vivência cotidiana da imortalidade. Este é o primeiro.

Você já sabe que esta Revista é uma produção da Universidade Livre do Espírito. A ULE, como chamamos essa Universidade Livre, tem como principal ponto de interesse e missão a disseminação da consciência de “ser Espírito”. Embora se valha dos saberes oriundos do Espiritismo, não pretende formar, necessariamente, Espíritas, mas Espíritos autoconscientes dessa sua condição. Fica claro – é evidente – que, se tomamos os saberes do Espiritismo como discurso fundador, temos neles um norte muito especial em nossa jornada, mas não queremos impor isso a você como verdade final, porque, no fundo, o que desejamos é que, por seu processo de amadurecimento, você seja capaz de tecer, com os fios da sua história, o que chamamos de “Religião Pessoal”.

Estamos dizendo isso porque queremos, já nestes primeiros diálogos que estamos construindo, retirar a condição imortalidade do terreno de propriedade do religioso para tocar essa nossa condição como um dado de realidade. Nós somos Espíritos, e a Imortalidade é a nossa condição mais essencial, mais íntima, mais singular. Não há dúvidas disso. Pelo menos, nós não as temos. E muito dessa nossa certeza se deve à forma como nos relacionamos com os saberes que aprendemos com a ciência-religião-filosofia com a qual nos identificamos. Por isso, os nossos textos são atravessados por uma discursividade espírita que se alia a um outro universo de percepções, que é o dos Estudos Psicológicos.

No nosso primeiro número, por exemplo, trouxemos várias percepções e várias formas de compreensão e vivência da imortalidade. Todos os textos que você leu (você já leu todos, não é?!) materializam experiências, vivências, formas diferentes de exercício dessa mesma aquisição, dessa mesma condição. Se você fosse convidada ou convidado a escrever algo sobre isso, de onde partiria: de uma experiência religiosa? de uma marca moral? de um ensinamento que arquivou da infância? de um prisma científico? de uma vivência psicológica?

Percebe?

A imortalidade é a nossa condição. Ela independe dos nossos operadores interpretativos, porque é uma realidade posta, contra a qual não podemos lutar, já que não é possível “não-viver”. Porém, o mais interessante disso é que cada um busca dar conta dessa realidade ao seu modo. Os nossos textos têm as marcas das nossas histórias. E os seus? Com quais marcas você dá sentido a essa sua realidade?

As interpretações, por mais importantes que sejam, são apenas projeções do que nós somos e dos saberes que nos organizam e constituem. Mas a imortalidade não depende ou se limita a elas, embora todo esforço de entendimento seja um progresso na aquisição e integração de habilidades para o Espírito. Continuemos, então, escrevendo ou pensando no que escreveríamos se o nosso tema maior – a Imortalidade – fosse um tema para a escrita particular de cada um. E coloquemos as nossas marcas nessas produções.

Nós, na Revista, vamos continuar escrevendo os nossos textos com os sentidos que estamos integrando pelos estudos que fazemos na ULE. E desejamos que você continue nos lendo, compartilhando, divulgando, discutido, debatendo. Mas leia o que escrevemos com a tarefa de construir também os seus sentidos, porque a maturidade do Espírito nasce exatamente da produção de leituras que suspeitam de verdades acabadas e se estrutura em torno do sentido mais fundador de todos, o da Imortalidade. Enquanto nos lê, produza os seus sentidos e fique sempre pensando, por meio de uma interação produtiva e enriquecedora, “se eu estivesse escrevendo sobre isso, eu diria que…”. Faça isso como quem coloca saberes em diálogo e constrói, pela dúvida, os sentidos do sentido maior de quem já se vê Espírito, de quem já se vê, consciente-mente, Imortal.

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