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A Arte da Palavra

Imortalidade com arte e leveza

Autor: Eduardo Dantas

A arte não morre e, como se não bastasse não morrer, ainda não deixa morrer quem a realiza, quem a faz. A arte é um respiro, uma possibilidade de leveza enquanto estamos vivendo a experiência do corpo físico e enquanto o deixamos, emancipando-nos dele parcial ou completamente. E ela se confunde com a própria imortalidade, porque, se pensarmos bem, antecipamos e recordamos na Arte as realidades que nos dizem respeito de modo mais profundo e falam diretamente à nossa condição de quem está existindo, sempre.

Fora das cronologias, a mesma obra vai mudando diante de nós, se deslocamos o olhar que projetamos diante dela. A arte é a realidade que vai significando novos olhares, a partir das novas formas de perceber que conquistamos pela abertura de novos sentidos. É como se, diante da arte, aprendêssemos muito sobre o que é reencarnar: voltar a situações semelhantes, cenários, paisagens, versos, métricas, tecendo novos modos de ver e enredando novos saberes, os quais não apenas nos darão condição de aprender com o que (re)vivemos, mas, mais ainda, de pintarmos os nossos próprios quadros.

Quando pensamos no caminho pela ULE, embora tenha endereço mais específico, a arte, essa manifestação potente do Criador, atravessa-nos em todos os momentos, dando leveza, fruição, sentidos. Às vezes, ela chega como música, como som instrumental, como sugestão de concentração; por vezes, é quadro, imagem, poema, palavra ressignificada, metaforizada, ampliada. A arte se faz, assim, companheira da nossa jornada na busca pela autoconsciência da imortalidade, atuando como modo de experimentarmos, ainda na encarnação, as diferentes possibilidades de nós, as nossas potências, saberes, segredos. Expressamo-nos nela, inscrevendo-nos nos tantos e novos sentidos que as obras de arte nos convidam a experimentar.

Nesse enredo, vamos nos questionando: com quantas cores e luzes, pela experiência da arte, temos adornado o nosso Espírito para contracenar, como personagem, neste grande ato, a vida, cujas cortinas nunca se fecham? O que a arte que consumimos pode nos ensinar sobre nós mesmos, sobre os nossos caminhos, sobre a felicidade, sobre os equívocos e como a tomamos na experiência dos novos sentidos?

As cenas nas quais mergulhamos e as paisagens pintadas em nós e por nós mostram-se como formas de estarmos sempre vivos, desafiando-nos, entusiasmando-nos. Por isso, a arte segue a jornada conosco, fazendo-nos mais leves, mais conscientes, mais amplos e profundos. Por ela, seguimos o trabalho da cocriação, do tecer de novas perspectivas em direção aos dispositivos evolutivos que nos cercam. Se for uma divindade, que a ela chegue uma forma nossa de prece que se teça pelo trilho da leveza. Que ela nos desloque para os lugares nos quais desejamos estar ou nos devolva aos espaços em que já estivemos, rememorando em nós o que já sabemos e nos preparando para a integração de novos aprendizados. Que assim seja.

Um comentário em “Imortalidade com arte e leveza

  1. “Experimentarmos as diferentes possibilidade de nós…..o tecer de novas perspectivas….rememorando em nós o que já sabemos”
    Através de você, o profundo vem a tona e nos faz sentir
    as possibilidades do possível, ainda não completamente sentidas na arte do meu viver.
    Gratidão.

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